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terça-feira, 2 de setembro de 2014

Não estar cá para elas.


Tínhamos traçado um bom plano para acabar em grande as férias. As circunstâncias trocaram-nos as voltas e de um momento para o outro estava na urgência de um hospital.

Uma  dor de cabeça que me acompanhava à 8 dias (que eu tentava disfarçar e minimizar com benurons), que limitava cada vez mais. Acordava a qualquer hora da noite agarrada à cabeça como que se ela fosse explodir, dores que me impediam de dormir.  Uma tensão de 10/19, muitos vômitos e perda de sentidos....Um susto!
Fui observada e medicada para crise hipertensiva.Vim para casa, piorei e voltei a cardiologia onde me disseram sem floreados que o que eu tinha podia ser uma lesão cerebral grave e encaminharam-me de novo à urgência hospitalar. Lá, fiz exames, fiz TAC e tudo ok.
Vim para casa voltei a piorar de madrugada. Desta vez vomitava, tinha tonturas e zumbido nos ouvidos. 

Não devia sentir medo, mas senti muito. Aquela cara que os médicos fazem de quem não conhece o diagnostico, a duvida e o encaminhamento para Neurologia, amedrontou-me e fez-me refletir tanto sobre estar aqui... A dor era insuportável, mas a ansiedade chegava a ser maior.
Queria ficar bem e fugir dali para os braços delas, por outro lado o corpo não se segurava,  estava caído no desconforto de uma cadeira empurrada pelos braços fortes do meu melhor amigo, daquele que não sofre por antecipação e que está sempre lá para me puxar mais um bocadinho para cima.

Tive a certeza que nunca damos o valor certo à vida, nunca agradecemos o suficiente aos factos extraordinários que se sucedem no dia-a-dia, que chamamos de rotinas e banalidades.

As minhas pernas tremiam, o meu coração parecia que saia pela boca. Tentei todas as respirações que de  meditação me ensinou, mas o medo era maior que tudo, o medo de não estar cá para eles.

Lembrei-me das palavras que aqui li do Pedro
e chorei...


 "E as coisas que ficariam por fazer, as palavras escritas aos sítios por ver, um dia. Os filhos, sempre o horror da ideia de não estar cá para eles, não os ver crescer, não ajudar, no que puder, não me maravilhar com as suas conquistas, as suas etapas ao longo da vida..." 




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